abr 10 2010

JPA 2.0 na Prática – Parte 3

Category: JPA 2.0Edson Gonçalves @ 6:48

Olá, tudo bom? Como vão vocês?

Este artigo é o terceiro de uma série ao qual vou ensiná-los a trabalhar com a Java Persistence API 2.0 (JPA 2.0).  Dúvidas e críticas são bem vindas.

Conhecendo as anotações básicas em uma Entidade

Como pudemos perceber no artigo  JPA 2.0 na Prática – Parte 2, as entidades representam as tabelas encontradas no banco de dados. Entretanto, nem sempre refletirão exatamente o modelo da entidade relacional encontrado no banco de dados mas, com certeza, são suas representações, só que em formato de objetos – o que chamamos de O/R (Object-to-Relational).

Anotando uma classe simples

Entidades são classes Java Simples (POJOs) na JPA.  Ao fazer a Entidade Bean Categoria, em JPA 2.0 na Prática – Parte 2, adicionamos anotações que representavam certas características que deveriam ser refletidas na entidade relacional, como nome da tabela e o campo de chave primária.

A entidade Categoria é simples e possui atributos privados que  são refletidos, tais como escritos na entidade, em seu equivalente, na tabela da entidade relacional.

A classe Categoria também é formada por métodos públicos getters e setters, tais como são os JavaBeans comuns.

Para que uma classe, como no caso da Categoria criada, não seja considerada um simples JavaBean e sim uma Entidade Bean da Java Persistence, precisamos de duas anotações básicas:

javax.persistence.Entity Informa que classe é uma Entidade;

javax.persistence.Id – Informa o atributo na classe que será utilizado como chave primária;

Na ausência das demais anotações, o nome da tabela e das colunas existentes na entidade relacional, do banco de dados, são tidos pelo provedor de persistência como sendo exatamente iguais aos encontrados na Entidade Bean.

Desta forma, se mapearmos uma entidade bean como na Listagem 1, teremos uma tabela no banco de dados, procurada ou criada pelo provedor de persistência similar ao da Listagem 2.

Listagem 1 – Entidade Bean Categoria



Listagem 2 – A tabela Categoria no banco de dados MySQL

Anotações @Table, @Column e @Id

Se necessitarmos definir o nome de uma tabela, como foi feito em JPA 2.0 na Prática – Parte 2, utilizamos a notação @Table, de javax.persistence.Table. O mesmo também pode ser feito para dar nomes a colunas, utilizando a anotação @Column, de javax.persistence.Column. Desta forma, se fizermos a modificação na classe Categoria, como na Listagem 3, teremos o resultado mostrado na Figura 1.

Listagem 3 – Utilizando as anotações @Table e @Column

Figura 1 – Anotações da Entidade Categoria refletida na tabela categorias no banco de dados

Figura 1 – Anotações da Entidade Categoria refletida na tabela categorias no banco de dados

A Listagem 3 exibe os atributos contidos na anotação @Column, que são úteis no mapeamento de uma tabela equivalente no banco de dados. Temos os seguintes atributos utilizados no exemplo:

name – Nome da coluna na tabela do banco de dados, recebe como valor uma String;

columnDefinition – Recebe uma String com o tipo que será usado pela coluna equivalente na tabela do banco de dados. Um exemplo é a coluna descricao que possui columnDefinition como text.

length – Alguns tipos de colunas nas tabelas dos bancos de dados possuem um valor variável de largura do campo. Um exemplo são os campos varchar(). No MySQL, se não definirmos um valor de largura para o tipo varchar, este é criado em seu tamanho máximo de caracteres, que no caso é 255. Cada banco de dados possui um limite máximo em seu determinado tipo.

nullable – Recebe um valor booleano cujo o padrão é true, caso não declarado. Se false,  este campo é obrigatório.

A anotação @Id, mostrada pela primeira vez em JPA 2.0 na Prática – Parte 2, possui  uma anotação dependente, chamada de @javax.persistence.GeneratedValue.  Esta anotação é utilizada quando desejamos que o provedor de persistência gere as chaves para nós.

A anotação @GeneratedValue possui um atributo chamado strategy, que define a estratégia de geração de valores incrementados. A estratégia mais comum é javax.persistence.GeneratorType.AUTO, mas no exemplo visto na parte 2 dos artigos sobre JPA, utilizamos javax.persistence.GeneratorType. IDENTITY.

Entretanto, alguns gerenciadores de banco de dados, como Oracle, possuem uma estrutura predefinida para gerar valores seqüenciais. Nestes casos, utilizamos a anotação @javax.persistence.SequenceGenerator. A Listagem 4 exibe esta anotação utilizada em um banco de dados ORACLE.

Listagem 4 – Utilizando a anotação @SequenceGenerator

A anotação @SequenceGenerator possui um atributo name do qual é referenciado em @GeneratedValue, através do atributo generator. A anotação @GeneratedValue também precisa utilizar, no atributo strategy, o valor GenerationType.SEQUENCE.

O nome da sequence gerada no Oracle, por exemplo, seria a colocada no atributo sequenceName, de @SequenceGenerator.

Também, em @SequenceGenerator temos os atributos initialValue e  allocationSize[1].  O resultado de uma sequence criada no banco de dados Oracle, com estas informações fornecidas pela entidade, através da JPA, pode ser vista na Figura 2.

Figura 2 – Sequencia gerada no Oracle XE e visualizada pelo Browser de Objetos

Figura 2 – Sequencia gerada no Oracle XE e visualizada pelo Browser de Objetos

Atenção: A forma como adicionamos a anotação @javax.persistence.Id na Entidade determina como podemos declarar as demais anotações no Bean. Se colocarmos a anotação @Id nos atributos, as demais precisam estar nos atributos. Se colocarmos no método getter, as demais precisarão estar nos métodos getters.

Na próxima parte

Na Parte 3 da série JPA 2.0 na Prática aprendemos as anotações básicas que podemos utilizar para criar uma entidade bean e tê-la refletida em uma tabela no banco de dados relacional.


[1] Sem o atributo allocationSize em 1, o Oracle, por exemplo, usando o Hibernate como provedor JPA, criará uma sequence com valor de 50 em 50.

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14 Responses to “JPA 2.0 na Prática – Parte 3”

  1. Edson Gonçalves » JPA 2.0 na Prática – Parte 2 says:

    […] JPA 2.0 na Prática – Parte 3, começaremos a compreender a Entidade em questão, suas várias anotações e implicações no […]

  2. Antonio says:

    Olá Édson, muito bom a iniciativa, estou ancioso esperando a parte 4, muito bom mesmo, consegui tirar um monte de dúvidas.

    Abraços

  3. Antonio says:

    Olá gostaria de saber como posso utilizar JSF ou JSP em projetos JPA

  4. Edson Gonçalves says:

    @Antonio,

    No Eclipse IDE, precisa criar um projeto Web dinâmico (New>Dynamic Web Project) e depois adicionar, pelas properties (direito do mouse sobre o projeto), o projeto JPA (Java EE Module Dependencies).

  5. Tiago says:

    Também estou no aguardo da parte 4.

  6. Uilton says:

    Aguardo pela parte 4. FAST PLX!! rsrs

  7. LUAN says:

    Parabens pelas tutos.. muito boasss..
    aguardando parte 4!!

  8. estrelavaz says:

    Parabéns pelos tutoriais…excelente trabalho…
    aguardando parte 4!!

  9. Heucles Junior says:

    Mais uma vez tenho que te elogiar, muito bom!!! Aguardamos a parte 4.

    abs

  10. Enio says:

    perfeito, gostei muito e espero que logo seja postado a parte 4

  11. deco says:

    Estou com um problema, configurei tudo. Projeto rodando e validando.. . no entanto a mensagem de critica não aparece na tela. Alguma dica?

  12. Lourenço says:

    Olá Edson, parabéns pelas 3 partes do tutorial detalhado, bom mesmo.
    Aguardo a continuação….
    Abraços.

  13. Paulo Vicente says:

    Como sempre, excelente didatica e preocupação com o aprofundamento.
    Mais uma vez, obrigado, Edson.
    Perdoe-me o abuso, mas que tal um exemplo
    simples, semelhante a esse, com JavaFX 2.0 + JPA 2.0 ?
    Ainda há muito poucos “na praça”.

  14. Leonardo says:

    Grande Edson, muito bem escrito seus tutoriais JPA 2.0 na prática.

    Parabéns e continue assim ,pois foi muito esclarecedor para mim que estou começando.

    Obrigado

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