abr 11 2012

Se o servidor é seu, porque o problema é meu?

Category: Off-Topic,Servidores JavaEdson Gonçalves @ 15:43

Quero começar este ano, em meu blog, falando um pouco sobre administração em aplicativos e servidores Java, que serve também no geral para outros serviços.
Desde que assumi a gerência da Integrator na parte de hospedagem, vejo e-mails que são direcionados ao suporte e recebo também, muitos pedidos que, sinceramente, não deveriam vir de um desenvolvedor Java.

A critica que faço aqui é construtiva e, de certa forma, um puxão de orelha, para que os profissionais que trabalham com desenvolvimento, comecem a se preocupar mais com o que criaram e assumam o problema.

Criei meu aplicativo e agora?

Tudo começa com a sua criação. Você, profissional desenvolvedor, recebeu a árdua tarefa de criar aquele sistema “maravilhoso“ que alguém idealizou ou, por motivos pessoais, quis aprender algo ou desenvolver o sistema de seus sonhos.

Depois de muita luta, você desenvolveu e foi aprovado por seu cliente, a diretoria da empresa onde trabalha ou por você.

Mas e agora? Como executar isto fora de minha máquina de desenvolvimento?

Do desenvolvimento até a produção

Muitos desenvolvedores se acostumaram com a automação das ferramentas de desenvolvimento e, claro, com tanta facilidade, parar e iniciar o serviço Java ali é simples.  Entretanto, o desenvolvedor java não pode apenas saber como operar uma ferramenta de desenvolvimento.

O profissional de Java precisa, na realidade necessita, conhecer o servidor Java que executa seus aplicativos. Não é apenas o básico de instalar, configurar, iniciar e parar. Também não vale dizer que sabe ler logs. Vai além. O profissional Java precisa saber como o servidor Java, que escolheu usar, opera.  Isso vai desde as suas características básicas de configuração, até como ele pode ser modificado e otimizado para melhorar o desempenho do que desenvolveu.

Está bem, você vai dizer que não quer ser administrador, mas sim é um desenvolvedor, certo? Errado! Isto é comum no governo, onde um carimba e outro coloca a folha. Se olhar para fora, verá que muitos fazem várias tarefas diferentes. E no seu caso, o servidor Java é a extensão do seu aplicativo.

O aplicativo precisa funcionar em qualquer lugar

Se você é o desenvolvedor, logo, é importante saber como fazer para que o seu aplicativo funcione em qualquer lugar, não somente em sua máquina. Usar o framework XYZ não é a etapa final do que criou. É no momento que ele vai para produção, que é onde aparecerão os problemas.

O que mais vejo e escuto é a frase: na minha máquina funciona. Ora, se você desenvolve corretamente, sem nenhum problema oculto, nada personalizado especificamente para sua máquina, que causaria erros online, também funciona em qualquer lugar.

Estes são os problemas mais comuns  do desenvolvimento para a produção são:

1)    Nome do banco de dados – criar a conexão usando um nome local, onde na produção se modifica, bate o recorde em erros de acesso pelo usuário;

2)    Nome do usuário do banco de dados – segundo problema mais comum, o usuário é diferente e gera erro de acesso negado;

3)    Permissões de acesso em arquivos – o terceiro mais comum, quem usa o Windows está muito acostumado a ter permissão para tudo. Mas online, servidores seguros tem permissões para escrita e execução, que precisam ser dadas em arquivos e diretórios;

4)    Erro no local onde está o banco de dados – conhecer a regra de como acessar o banco de dados no servidor de produção é o mínimo, vai desde do host até a porta. Não sair colocando o que “acha” ser o correto. Na dúvida, sempre perguntar a quem administra o sistema operacional para evitar erros e mudar, principalmente, no código que foi compilado para colocar em produção;

5)    Problemas de memória – usar o framework XYZ porque ele foi indicado na comunidade como bacana é ótimo. Mas saber o que ele consome de sua máquina é melhor ainda. Não adianta achar que sabe como usar o Tomcat, que localmente tudo funciona, que online não vai dar problemas, se você nem sabe localmente o quanto o Tomcat necessita de memória para executar seu aplicativo. Máquina de desenvolvimento possuem vários GIGAS de memória RAM e muitas vezes o desenvolvedor nem se preocupou em limitar o serviço em um X de memória. Online, você terá configurado uma limitação no servidor Java. É importante saber se, dentro desta limitação, seu aplicativo executa com conforto;

6)    Envio de email – O SMTP tem regras em qualquer lugar. Saber a porta correta, parâmetros básicos mínimos necessários é importante para que, em produção, o envio seja feito sem erros.

7)    Erro 404 – O deploy não funcionou, logo, tem algo de errado e precisa ver nos logs o que está ocorrendo;

8)    Bibliotecas – As bibliotecas que usa no desenvolvimento precisam estar em produção. Se exportou o WAR file, EAR file, e nenhum está com as bibliotecas, ou falta alguma, porque foram colocadas diretamente no servidor Java, precisa fazer o mesmo em produção. Algumas bibliotecas também costumam dar problema quando existem duas do mesmo tipo, mas com versões diferentes.

9)    Localização – Não deveria estar nesta lista, mas infelizmente, é um erro também comum. É possível configurar o Locale em seu aplicativo ou diretamente no servidor Java. Não é porque na sua máquina o Locale é em pt-br que online vai ser também. Saber modificar isso no servidor Java que seja, não é difícil e lhe salva de dores de cabeça com uma configuração muito simples.

10)  Erro na descompactação do arquivo WAR – Probleminha comum quando você sobe por FTP o aplicativo com o Tomcat ligado, por exemplo, causando um hot deploy sem o arquivo ter finalizado totalmente o seu envio. Alternativamente, ocorreu alguma queda de pacote no envio e ocorreu uma falha, deixando o  arquivo impossibilitado de ser operado e, consequentemente, o servidor Java lançará um erro na descompactação.

11) Assumir o problema – É, eu sei, isto não se trata de erro de produção. Mas pensar é um ato importante para resolver problemas. Sair culpando outro, sendo que o problema é seu, não faz parte do meio que escolheu como profissão. Se assumiu um cargo como desenvolvedor, assuma também que o que fizer, desenvolver, pode ter falhas e que elas são corrigíveis. Assumir o problema é o primeiro passo em direção da solução.

 

Os logs são a chave para a solução dos problemas

Todos os problemas, que relatei acima, sempre lançam exceções. Claro que, muitas vezes, o desenvolvedor sai reclamando antes de pensar, que é sua maior tarefa, do porque essas exceções estão sendo lançadas. A grande vantagem do java é que ele aponta o dedo para o problema. E de tantos que usam no mundo, é muito fácil descobrir uma resposta para o problema. Mas fica mais difícil se quiser que resolvam o SEU problema para você, acredite.

 

Indo além dos servidores Java

Em produção, não basta apenas saber como operar um servidor Java. Você desenvolveu o aplicativo e, como conhecedor do que fez, deve também saber que o seu uso pode crescer. Mas, muitas vezes, se esqueceu de que o comportamento com 10 pessoas testando é um e com centenas online, é outro.

Um belo dia, seu servidor Java caiu, se não caiu, deu um erro estranho em seu aplicativo ou aconteceu algo que não havia previsto, claro.  Mas a culpa não é sua, certo? Funcionava antes e não mexi em nada. Errado! Totalmente sua culpa. Só de dar a resposta de que não mexeu em nada já implica que não está cuidando do que fez. Se não observar por um tempo o que desenvolveu, a evolução do que fez, não vai ter correções e, como consequência, erros. Saiba estes princípios básicos no desenvolvimento:

1)    Bibliotecas e frameworks mudam – se mudam de versão, é porque a anterior não era perfeita. Erros são reportados e precisam ser atualizados para evitar que no seu, uma hora ocorra o que outro já teve.

2)    Servidores Java mudam – mesma situação que citei acima, se mudou a versão do servidor Java, pode ser que, algum possível bug pode causar problemas em seu aplicativo.

3)    Profiler – Usar um profiler vai lhe orientar como seu aplicativo se comporta e ver possíveis picos de memória/CPU que possam lhe causar problemas, mais adiante, com muitos usuários acessando.

Atacando o problema de frente

Evidentemente muitas são as situações que ocorrem em aplicativos. Nem todos os problemas são simples de serem solucionados. Mas alguns podem ser de simples resolução se, de fato, você realmente quiser resolver a situação. Vale citar alguns:

1)    Otimize o banco de dados – Conhecer queries lindas com subqueries é muito bom. Mas saber o que elas causam, ao serem chamadas em bancos de dados, com muitos dados, é melhor ainda. Otimizar queries é importante para melhorar o desempenho.  Claro que, em meio a isto, entram também saber otimizar a estrutura das tabelas, criar índices corretos e até mesmo criar caches de queries de pesquisas, as mais comuns, para melhorar o seu desempenho no acesso ao aplicativo.

2)    Modificar o comportamento falho do aplicativo – Sim, sei que você não quer mexer no que estava funcionando bem nos primeiros 10.000 registros/acessos. Mas agora não está mais. Muita gente acessando, muitos erros sendo lançados, memória, velocidade. Precisa modificar o comportamento, voltar para a “prancheta” do desenvolvimento e replanejar. Se não fizer isto, seu projeto vai falhar, mais dia ou menos dia.

3)    Mude de servidor Java – Sei que você aprendeu agora, e muito bem, aquele servidor chamado Apache Tomcat. Mas ele pode não estar dando conta do recado como outro daria. É hora de conhecer novos servidores Java e testar, seja o Jetty, JBoss ou GlassFish. Algumas pequenas mudanças, como a troca de servidor Java, podem trazer benefícios ao que desenvolveu, mesmo que isto lhe traga de volta ao “be a bá” de como tudo funciona.

4)    Buscar alternativas – Sempre , em algum lugar deste planeta imenso do desenvolvimento, alguém arrumou alguma solução que  fez melhorar o desempenho do aplicativo com aquela tecnologia XYZ que escolheu e deu a dica. Busque alternativas e dicas.

 

Empurrão ou puxão de orelha?

Minha intenção é dar a vocês, leitores deste blog, um empurrão no sentido certo. Existem várias etapas no desenvolvimento e todas envolvem o que criou. Vai desde o sistema operacional que irá trabalhar em produção, até o que é acessado pelo seu aplicativo.  Estes detalhes precisam ser todos analisados, mesmo que você diga que é apenas um mero desenvolvedor Java.

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set 22 2011

O que estou fazendo no momento

Category: Off-TopicEdson Gonçalves @ 21:46

Olá Pessoal, tudo bom? Como vão vocês?

Sei que estou sumido do blog. Muitos leitores estão, nestes meses, me mandando comentários pedindo  a continuação de alguns artigos, de séries, que comecei e ainda não terminei. Quero informar a todos que, neste momento, estou renovando meus livros, por isso parei um pouco de postar no blog.

Muitas pessoas já sabem, outras nem fazem muita ideia, mas escrever toma muito tempo. Quem possui pouco tempo livre, como eu, no caso, é deixar os finais de semana com a família e  o descanso das noites, para nos dedicar a escrita.

Os escritores que sempre apoio em meu blog, até mesmo outros que desejarem aparecer no mural, só entrar em contato comigo. Sei o quanto é difícil divulgar um livro e ter um pouco de reconhecimento. Muita gente acha que ganhamos dinheiro com livros, que ficamos ricos, mas estou aqui para desmentir. Na área de informática, quem escreve é para ter o prazer de ajudar aqueles que estão com as mesmas dificuldades que, com certeza, passamos um dia.

Quero deixar aqui os meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que postam comentários elogiando, criticando e pedindo mais tutoriais no blog. Para aqueles que não liberei os comentários, fiquem tranquilos que eu os li. Só não os liberei, muitas vezes, porque não tive tempo ou, por serem pedidos e perguntas relacionadas diretamente a mim, sobre o assunto, não me permiti o tempo necessário para responde-los.

Assim que terminar o meu primeiro objetivo, que é a completa reformulação e atualização, do livro “Desenvolvendo Aplicações Web com JSP, SERVLETS, JAVASERVER FACES, HIBERNATE, EJB 3 PERSISTENCE E AJAX”, voltarei a postar os diversos tutoriais, que já os tenho quase prontos, no blog.

Deixo aqui o espaço aberto, neste tópico, para que comentem o que acham interessante de estar neste livro que estou trabalhando. Já garanto que muitas criticas e pedidos, vindos de algumas centenas de leitores, não serão ignorados. Professores de universidades, faculdades e escolas técnicas do Brasil e alguns países de língua portuguesa, que também me procuraram para deixar seus pedidos e criticas, quero manter meu compromisso de que todos serão levados em consideração.

Agradeço a compreensão de todos.

Bons códigos!

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out 24 2010

Spring MVC 3 na Prática com Bean Validation

Category: Spring,Spring MVC 3.0Edson Gonçalves @ 20:56

Olá Pessoal, tudo bom? Como vão vocês?

Este é o terceiro artigo da série Spring MVC 3.0. Se vocês não tiveram um contato inicial com o framework, recomendo ver este artigo primeiro.

Para acompanhar esta terceira parte, recomendo ter criado o projeto do segundo artigo.

Como sempre, dúvidas e críticas são bem vindas.

Alterando o CRUD criado com o Spring MVC

O projeto neste artigo é o mesmo do segundo artigo da série. Entretanto, faremos algumas alterações para que passe a utilizar validações do Bean Validation.

Adicionando as bibliotecas ao projeto utilizando o Maven

Mais uma vez, recorreremos ao Maven para adicionar as bibliotecas que necessitamos. Neste caso, teremos que baixar o Hibernate Validator. Para utilizar o Bean Validation, utilizaremos dois JARs: hibernate-validator-4.0.2.GA.jar e validation-api-1.0.0.GA.jar.

Abram o arquivo pom.xml , encontrado na view Package Explorer para que possamos adicionar as configurações que necessitamos.

Criando a propriedade

Na aba Overview, em Properties, cliquem no botão Create. Na caixa de diálogo Add property, preencham como na Figura 1.

Figura 1 - Criação da property da versão do hibernate validator

Criando a dependência

Com a propriedade definida para informar qual versão desejamos utilizar, no qual o Maven deverá baixar, resta configurar as dependências.

Na aba Dependencies, cliquem no botão Create e preencham conforme a Figura 2 ilustra.

Figura 2 - A dependência do Hibernate Validator

Alterando a entidade Contato

A entidade do artigo, chamada de Contato, será a primeira coisa que iremos modificar no projeto.

Graças a JSR 303, chamada de Bean Validation, podemos anotar as entidades com validações. Com as anotações de Bean Validation na entidade, concentramos a validação em um único local, de forma padronizada, tornando possível portar estas validações para as classes controladoras do Spring MVC.

A Listagem 1 exibe  a entidade Contato modificada. Note as anotações de validação onde colocamos as mensagens de erro embutidas. Mais adiante iremos capturá-las para exibir o problema ao usuário.

Listagem 1. A entidade Contato com anotações Bean Validation.

A infra-estrutura definida pela JSR 303 nos permite descrever as restrições, usando anotações no modelo de classes de persistência, como definir se um campo aceitará uma quantidade mínima de caracteres ou se não aceitará nulo, por exemplo.

Cada anotação é associada a uma validação, verificando se a instância da entidade anotada obedece à regra ou não.

A Tabela 1 apresenta todas as anotações possíveis de serem usadas e suas funcionalidades.

Annotation O que faz?
@AssertFalse Checa se a propriedade anotada é falsa.
@AssertTrue Checa se a propriedade anotada é verdadeira.
@DecimalMax(value=) A propriedade anotada precisa ser um número, cujo valor deve estar menor ou igual ao valor máximo previsto. O parâmetro value é a representação em string do valor máximo aceito de acordo com o formato representado em BigDecimal. Suporta tipos como BigDecimal, BigInteger, String, byte, short, int, long e os respectivos wrappers de tipos primitivos.
@DecimalMin(value=) A propriedade anotada precisa ser um número, cujo valor deve estar maior ou igual ao valor mínimo previsto. O parâmetro value é a representação em string do valor mínimo de acordo com a representação de sequência de BigDecimal. Suporta tipos como BigDecimal, BigInteger, String, byte, short, int, long e os respectivos wrappers de tipos primitivos.
@Digits(integer=, fraction=) Verifica se a propriedade possui a quantidade de dígitos antes e depois do separador de casa decimal. Por exemplo: @Digits(integer=9, fraction=2) significa que espera-se 9 dígitos inteiros e 2 dígitos fracionários. Suporta os tipos: BigDecimal, BigInteger, String, byte, short, int, long e os respectivos wrappers de tipos primitivos.
@Future Checa se a data está no futuro. Suporta os tipos java.util.Date e java.util.Calendar.
@Max(value=) Verifica se o valor é menor ou igual ao valor anotado. Suporta os tipos: BigDecimal, BigInteger, String, byte, short, int, long e os respectivos wrappers de tipos primitivos.
@Min(value=) Verifica se o valor é maior ou igual ao valor anotado. Suporta os tipos: BigDecimal, BigInteger, String, byte, short, int, long e os respectivos wrappers de tipos primitivos.
@NotNull Checa se o valor anotado não é nulo (null). Uma String cujo valor seja vazio (“”) vai passar.
@Null Checa se o valor anotado é nulo (null).
@Past Checa se uma data está no passado. Suporta os tipos java.util.Date e java.util.Calendar.
@Pattern(regex=, flag=) Checa se a propriedade obedece à expressão regular.
@Size(min=, max=) Confere se a quantidade de elementos está entre o mínimo e o máximo, suportando tipos como: Strings, Collections, Maps e arrays.
@Valid Impõe uma validação recursiva aos objetos associados. Digamos que, no bean Post, houvesse a anotação @Valid no atributo comments. Já na classe Comment, temos um atributo de validação anotado. Se um valor transmitido a comments, de Post, não estiver de acordo com a validação existente na classe Comment, de acordo com o atributo anotado, um erro será gerado em tempo de execução. A notação @Valid está sendo usada no PostController para validar os erros existentes em Post ou Comment.

Tabela 1. Anotações e regras para criar restrições (Constraints).

Alterando o controlador

Alteraremos a classe ContatoController, criada no pacote br.com.integrator.web, de acordo com o mostrado na Listagem 2.

Listagem 2. A classe ContatoController alterada.

Como visto na Listagem 1, as anotações @Size e @Pattern possuem o atributo message, que capturamos pelo Spring MVC na classe ContatoController (Listagem 2)  – através da classe javax.validation.Valid (anotação @Valid). Assim como a anotação @Controller, as anotações pertencentes a Bean Validation são obtidas graças a adição do elemento <mvc:annotation-driven />. Isto permite que as informações anotadas sejam injetadas onde a validação é necessária na sua aplicação.Caso haja um erro, o método hasErrors(), de org.springframework.validation.BindingResult, retorna true, nos possibilitando conduzir a navegação da página, com seus respectivos erros, inclusive paralisando a ação ao qual se encontra. A utilização de hasErrors() ocorre em ContatoController, nos métodos create() e update() com o seguinte if:

As informações recebidas da validação pela classe Controller são transmitidas para o formulário e capturadas. Veja como isto ocorre na descrição da Listagem 3.

Alterando as views

Temos três páginas que representam nosso CRUD feitas. Estas páginas foram criadas dentro do diretório chamado WEB-INF/jsp/contato(fisicamente na ferramenta: src/main/webapp/WEB-INF/jsp/contato). Teremos que alterá-las para permitir que os erros sejam exibidos.

O formulário de cadastro

Abra o arquivo create.jsp e altere como na Listagem 3, adicionando as tags  <form:errors />.

Listagem 3. A página create.jsp.

A tag  <form:errors /> foi utilizada na Listagem 3 com dois parâmetros: path e cssClass. No parâmetro path transmitimos o  atributo da classe Contato, validada pelas anotações de Bean Validation, onde receberá a mensagem.

Figura 3 – Processo de validação partindo da anotação no JavaBean Contato

Podemos ter uma idéia de como ficará a página create.jsp depois das alterações visualizando a Figura 4.

Figura 4 – Validação transmitida para a página de JSP

Figura 4 – Validação transmitida para a página de JSP

Alterando a página de atualização de dados

Como feito na página create.jsp, a página update.jsp também receberá as tags <form:errors />. A Listagem 4 exibe a página com as mudanças, na íntegra.

Listagem 4. A página update.jsp.

O projeto para download

Clique aqui para baixar o projeto e alterá-lo como desejar.

Considerações finais

Com as validações, boa parte dos problemas iniciais de um desenvolvimento usando o Spring MVC foram resolvidos. Mas vejam só: é o começo. Caso haja interesse do leitor em aprender um exemplo mais complexo, a revista JavaMagazine #78 publicou, um artigo meu com o Spring MVC 3 na criação de um blog, do começo ao fim. É um bom início para se desenvolver um projeto mais completo e complexo.
Para os que acompanham o blog, o assunto Spring MVC não para por aqui. Veremos em breve um site completo, feito com o framework, unindo várias características do Spring, de seu framework MVC e a parte de segurança com Spring Security.

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ago 16 2010

Spring MVC 3 na Prática com JPA 2

Category: Spring MVC 3.0Edson Gonçalves @ 0:49

Olá Pessoal, tudo bom? Como vão vocês?

Este é o segundo artigo da série Spring MVC 3.0. Desta vez iremos trabalhar com a JPA em conjunto com o framework Spring MVC. Se vocês não tiveram um contato inicial com o framework, recomendo ver este artigo primeiro.

Como sempre, dúvidas e críticas são bem vindas.

O Servidor Java

Para este artigo, vamos utilizar o Tomcat 7.0, ainda em beta. Para baixar o binário do Tomcat 7, vá até o endereço http://tomcat.apache.org/.

A versão que vamos baixar é a compactada. Por exemplo, se o seu Windows for de uma versão 64bits, baixe o arquivo apache-tomcat-7.0.0-windows-x64.zip.

Atenção: O Tomcat 7.0 roda somente na JDK 6 ou superior.

O banco de dados

O banco de dados utilizado será o MySQL. Você pode baixar a versão 5.1, utilizada no artigo, aqui.

Preparando o banco de dados do exemplo

Abra o terminal do MySQL com seu usuário e senha ROOT (aquela que você configurou na instalação).

Crie o banco de dados executando o seguinte comando:

create database springmvc;

 

O ambiente de trabalho

A própria empresa responsável pelo Spring Source, divisão da VMware, possui uma ferramenta completa, criada sobre a plataforma Eclipse, chamada de SpringSource Tools Suite.

Para baixar o SpringSource Tools Suite, clique aqui, preencha o formulário e faça o Download. Como a ferramenta possui uma opção de instalador, usem-na como facilitador se desejar. Na própria página onde baixar o arquivo, haverá a explicação da instalação em cada plataforma, em Installation Instructions.

Criando o projeto

Na view Package Explorer, com o direito do mouse, selecionem New>Spring Template Project no menu de contexto.

Figura 1 – Iniciando a criação de um projeto modelo utilizando Spring MVC

Figura 1 – Iniciando a criação de um projeto modelo utilizando Spring MVC

Na caixa  de diálogo New Template Project, selecione Spring MVC Project e clique no botão Next.

Figura 2 – Opção Spring MVC Project

Figura 2 – Opção Spring MVC Project

Ao aparecer a caixa de diálogo Import, cliquem no botão Yes para permitir que o projeto faça o download das bibliotecas do Spring MVC. No segundo projeto que criar, não haverá necessidade deste download. Falaremos mais adiante sobre este download e como ele ocorre.

Figura 3 – Confirmação para o download das bibliotecas do projeto

Figura 3 – Confirmação para o download das bibliotecas do projeto

Após o download das bibliotecas, prosseguiremos na criação do projeto. Coloque o nome do seu projeto em Project name e o pacote principal abaixo. Confirmem no botão Finish.

Figura 4 – Definição do nome do projeto e pacote principal

Figura 4 – Definição do nome do projeto e pacote principal

O assistente criará, em sua conclusão, um projeto com uma estrutura básica, contendo uma classe, página e arquivos de configurações do framework Spring MVC, como mostra na Figura 5.

Figura 5 – Estrutura inicial do projeto gerado

Figura 5 – Estrutura inicial do projeto gerado

Alterando o projeto base gerado pelo assistente

Além dos arquivos contidos para a execução do projeto, temos o pom.xml, o que denota que o projeto é gerado sobre a estrutura do Maven.

Na view Package Explorer, se expandirmos Maven Dependencies, veremos as bibliotecas que o projeto necessita para ser executado. Neste momento, o projeto está funcionando tal como foi gerado pelo assistente.

Figura 6 – Página inicial gerada pelo assistente utilizando o framework Spring MVC

Figura 6 – Página inicial gerada pelo assistente utilizando o framework Spring MVC

Para compreendermos o que foi gerado, vejam o primeiro artigo que escrevi sobre o Spring MVC, ao qual explico a base do framework.

Entretanto, não vamos utilizar alguns dos arquivos criados. Selecione os seguintes diretórios e arquivos do projeto e os remova:

  • WelcomeController.java
  • WelcomeControllerTests.java
  • spring/
  • views/
  • urlrewrite.xml

Adicionando outras bibliotecas ao projeto utilizando o Maven

Embora boa parte das bibliotecas que precisamos no projeto já estejam disponíveis, precisamos adicionar a biblioteca JDBC do MySQL e as do Hibernate para trabalharmos com a JPA 2.

Abram o arquivo pom.xml , encontrado na view Package Explorer. No canto superior do lado direito, temos o ícone Show Advanced Tabs. Vamos exibir, ao clicar neste ícone, novas tabs que permitirão configurar novos repositórios.

Figura 7 – Exibindo tabs avançadas do editor visual para o arquivo pom.xml

Figura 7 – Exibindo tabs avançadas do editor visual para o arquivo pom.xml

Adicionando um repositório

Na aba Repositories, cliquem no botão Create. Preencham com JBoss Repo em Id e http://repository.jboss.com/maven2.  Este repositório será necessário para obtermos a última versão do Hibernate, importante para nosso projeto.

Figura 8 – O repositório JBoss configurado

Figura 8 – O repositório JBoss configurado

Criando propriedades

Caso o leitor não conheça o Maven ainda, já deve ter desconfiado que informamos um endereço para baixarmos as bibliotecas. Entretanto, quais desejamos?

Na aba Overview, em Properties, cliquem no botão Create. Na caixa de diálogo Add property, preencham como na Figura 9.

Figura 9 – Criação da property da versão do Hibernate

Figura 9 – Criação da property da versão do Hibernate

Adicione outra property preenchendo o diálogo como na Figura 10.

Figura 10 – Criação da property da versão da JPA

Figura 10 – Criação da property da versão da JPA

Por fim, adicionem mais uma property e preencham como a Figura 11.

Figura 11 – Criação da property da versão da biblioteca JDBC do MySQL

Figura 11 – Criação da property da versão da biblioteca JDBC do MySQL

Criando as dependências

As propriedades foram definidas para informar qual versão desejamos utilizar das bibliotecas que o Maven deverá baixar. Entretanto, precisamos configurar as dependências.

Na aba Dependencies, cliquem no botão Create e preencham conforme a Figura 12 ilustra.

Figura 12 – A dependência do Hibernate

Figura 12 – A dependência do Hibernate

Criem uma nova dependência e configurem conforme a Figura 13 demonstra.

Figura 13  - A dependência da API JPA 2.0

Figura 13 – A dependência da API JPA 2.0

Façam o mesmo processo preenchendo conforme a Figura 14 exibe.

Figura 14 – A dependência da biblioteca JDBC do MySQL

Figura 14 – A dependência da biblioteca JDBC do MySQL

E para a parte de transações do Spring, configure a dependência  conforme a Figura 15.

Figura 15 – A dependência da biblioteca para transações do Spring Framework

Figura 15 – A dependência da biblioteca para transações do Spring Framework

Para trabalhar com banco de dados no Spring, configure a dependência  conforme a Figura 16.

Figura 16 – A dependência da biblioteca jdbc do Spring Framework

Figura 16 – A dependência da biblioteca jdbc do Spring Framework

Como estamos trabalhando com a JPA, o  Spring precisa da dependência  que configuramos no Maven conforme a Figura 17.

Figura 17 – A dependência da biblioteca orm do Spring Framework

Figura 17 – A dependência da biblioteca orm do Spring Framework

Ao salvar o arquivo, automaticamente o Maven entrará em ação trazendo as bibliotecas faltantes para o seu projeto. Vemos isto na view Console.

Nota: Detalhes de como o Maven funciona não serão mostrados neste artigo. É importante lembramos que o objetivo deste artigo não é ensinar a trabalhar com Maven, seja através do arquivo pom.xml ou pelo Eclipse IDE.

Um CRUD com Spring MVC utilizando JPA 2.0

O projeto neste artigo será baseado em apenas uma entidade, suficiente mostrar a vocês a integração entre as duas tecnologias no desenvolvimento.

Iremos agora modificar o projeto criado automaticamente pelo assistente.

A entidade Contato

Teremos para o exemplo apenas uma entidade, chamada de Contato. Esta entidade, trabalhará com uma tabela contato, no qual possui quatro atributos, sendo o atributo id o único que será gerado automaticamente. A Listagem 1 exibe  a entidade que será usada no exemplo.

Listagem 1. A entidade Contato.

Para fazê-la, cliquem com o direito do mouse sobre o pacote br.com.integrator e selecionem, no menu de contexto, o item New>Class.

Figura 18 – Criação da classe Contato

Figura 18 – Criação da classe Contato

Acessando os dados

O acesso aos dados é feito pelo padrão DAO (Listagem 2), com a adição de anotações do Spring Framework.  No princípio, adicionamos a anotação @Repository(“contatoDao”), ao qual indica ao Spring Framework que se trata de um DAO. Veremos mais a respeito adiante, na configuração final do Spring.

Utilizamos a anotação @Transactional, para fazer o controle transacional e a anotação @PersistenceContext, permitindo assim com que o Spring injete um EntityManager no serviço quando instanciado. Esta anotação pode ser colocada no atributo ou método setter. Com a esta injeção, temos um comportamento similar ao oferecido pelo EJB 3, incluindo transações, só que sem a necessidade de um contêiner EJB para isso.

Para criar a classe da Listagem 2, criem uma nova classe e coloquem o pacote br.com.integrator.dao e preencham o nome da classe como ContatoDAO.

Figura 19 – Criação da classe ContatoDAO

Figura 19 – Criação da classe ContatoDAO

Listagem 2. A classe ContatoDAO.

Controlando como o aplicativo funciona

A classe ContatoController, que será criada no pacote br.com.integrator.web, exibida na Listagem 3, lida com as requisições do cliente, controlando o rumo que será dado na chamada a uma determinada view.

Listagem 3. A classe ContatoController.

Introduzida na versão do Spring MVC 2.5, podemos declarar uma classe como sendo a controller do framework simplesmente utilizando a anotação @Controller, de org.springframework.stereotype.Controller. Esta anotação permite que o Spring faça seu “scan” automaticamente através do elemento <context:component-scan>.

Com a anotação @RequestMapping, encontrada após @Controller, definimos o caminho HTTP que será utilizado na aplicação, sendo mapeada pela classe. Na prática, todas as chamadas na aplicação contendo o “/contato/*” serão analisadas pela classe controller.

O suporte a RESTful foi completamente adicionado no Spring MVC 3, onde determinamos o seu comportamento através também da anotação @ResquestMapping. Agora, o servlet Spring Dispatcher suporta os seguintes métodos HTTP: GET, HEAD, POST, PUT e DELETE.

Para efeitos comparativos, se colocarmos cada um dos métodos HTTP ao lado de um simples aplicativo que executa as quatro operações básicas (CRUD), teríamos o GET como sendo o READ, o POST como CREATE, o PUT como UPDATE e o DELETE como por ele mesmo.

Infelizmente, os navegadores não compreendem nada além de GET e POST em formulários HTML. Ao declarar no formulário do Spring MVC que o método de submissão é o DELETE, por exemplo, este se transformará em um método POST, para que o navegador entenda, só que contendo um campo oculto com o valor DELETE. Infelizmente este feito não é mágico e no Spring MVC esta característica só é possível porque configuramos o filtro org.springframework.web.filter.HiddenHttpMethodFilter no arquivo web.xml(veja a Listagem 4).

Ao submeter o formulário, a anotação @ResquestMapping verifica o caminho e o método submetido. Imagine que @ResquestMapping recebe uma chamada HTTP com o caminho “/contato/1”, seria apenas uma visualização do contato número 1 se RequestMethod.DELETE não fosse acionado, disparando automaticamente o método delete(), que tem como objetivo remover o contato. Esta remoção é feita pelo remove() do DAO.

Através de templates URI, a anotação @PathVariable determina à variável que será recebida e transmitida para o método em questão. Se quisermos excluir um determinado contato, enviamos ao navegador o caminho “/contato/1”, mas que será traduzido como “contato?id=1”. Como parâmetro, a variável pode ser convertida para um determinado tipo em sua captura, assim como renomeada.

A conclusão de cada operação no controller pode ser feita através de um redirecionamento, enviando a string “redirect:/caminho” ou simplesmente retornando o caminho que deseja exibir.

A configuração do web.xml

O arquivo web.xml precisa de alguns ajustes, uma vez que este já possui configurações iniciais para trabalhar com o Spring MVC. A Listagem 4 exibe o arquivo web.xml na íntegra.

Listagem 4. O web.xml.

Para o Spring MVC funcionar, utilizamos o servlet org.springframework.web.servlet.DispatcherServlet, configurado no arquivo web.xml da aplicação. Por padrão, o Spring olha beans em arquivos cujo começo possui o mesmo nome do Servlet configurado, seguido de -servlet.xml. Para melhor entendimento, o nome ContatoManager, dado no elemento <servlet-name/>, fará com que o Spring procure por um arquivo chamado ContatoManager-servlet.xml.

Evidentemente ele não é o único item que deve ser configurado no arquivo, já que, se pretendemos trabalhar com REST, como já foi citado anteriormente, precisamos adicionar o filtro pela classe org.springframework.web.filter.HiddenHttpMethodFilter.

Para trabalhar com a JPA, utilizamos o filtro org.springframework.orm.jpa.support.OpenEntityManagerInViewFilter, do Spring. Entretanto, deixarei para falar sobre este filtro em outra ocasião.

O arquivo persistence.xml

A Listagem 5 mostra o arquivo persistence.xml, que configura como provider o Hibernate.  Este arquivo deve ser criado dentro do diretório META-INF. Este diretório será criado em src/main/Java. Veja como ficará em seu projeto através da Figura 20.

Figura 20 – Localização do arquivo persistence.xml dentro de META-INF

Figura 20 – Localização do arquivo persistence.xml dentro de META-INF

Listagem 5. Configuração do arquivo persistence.xml.

Configurando o Spring

Revisando até o momento o que criamos, temos um DAO simples que se comunica com o banco de dados através da JPA, utilizando o Hibernate como provider.

Este DAO será executado pelo Controller do Spring MVC, também já configurado.

Para trabalhar com todas estas informações, dividiremos as configurações em dois arquivos, separando suas responsabilidades.

O primeiro arquivo, chamado de applicationContext.xml (Listagem 6), será o utilizado para a trabalhar com a injeção de dependências na classe DAO, lidando com as características da JPA. Este arquivo deve ser criado dentro do diretório WEB-INF.

Para criá-lo, cliquem com o direito do mouse em src/main/webapp/WEB-INF e selecionem New>Spring Bean Configuration File no menu de contexto.

Na caixa de diálogo Create a new Spring Bean Definition file coloque o nome do arquivo de applicationContext (Figura 21) e clique no botão Next.

Figura 21 – Criação do arquivo applicationContext.xml pelo assistente

Figura 21 – Criação do arquivo applicationContext.xml pelo assistente

Na segunda etapa, mantenha o beans – http://www.springframework.org/schema/beans e mantenha selecionado o item XSD como mostrado na Figura 22.

Figura 22 – Seleção do namespace beans

Figura 22 – Seleção do namespace beans

Ainda na segunda etapa, mantenha o context – http://www.springframework.org/schema/context e mantenha selecionado o item XSD como mostrado na Figura 23.

Figura 23 – Seleção do namespace context

Figura 23 – Seleção do namespace context

A última opção que selecionaremos na segunda etapa será o tx – http://www.springframework.org/schema/tx e mantenha selecionado o item XSD como mostrado na Figura 24. Confirmem no botão Finish.

Figura 24 – Seleção do namespace tx

Figura 24 – Seleção do namespace tx

Caso tenhamos esquecido de selecionar algum namespace, não tem importância, pois ao finalizar o assistente, o editor do arquivo de configuração do Spring se abre. Neste caso, vamos adicionar um último namespace. Cliquem na aba Namespaces e marquem o namespace mvc – http://www.springframework.org/schema/mvc e selecionem o XSD como mostrado na Figura 25.

Figura 25 – Seleção do namespace mvc

Figura 25 – Seleção do namespace mvc

O conteúdo completo do arquivo applicationContext.xml está na Listagem 6.

Listagem 6. Configuração do arquivo applicationContext.xml.

No Spring MVC, para determinar a classe controladora, utilizamos a anotação @Controller. Entretanto, para que seja possível detectar esta anotação, o Spring utiliza o elemento <context:component-scan />, onde indicamos  o pacote em que ele pode verificar. Este recurso é chamado de Classpath scanning, que permite ao Spring ler as classes encontradas no pacote indicado da aplicação em busca das que estão anotadas. Isso evita que tenhamos de declarar estas classes no XML. Ao fazer este “scanning”, as classes são passadas por um filtro e então a definição de um bean é criada para cada uma delas. Evidentemente que este filtro é determinado pelas anotações, onde não existem apenas as anotações que utilizamos neste exemplo,  mas de outras mais que temos como referencia para o framework: @Component, @Service, @Controller e @Repository (que foi introduzida no Spring 2.0). Você pode também criar suas próprias anotações e filtros para declarar os componentes.

Para o Spring trabalhar com a JPA, onde a execução ocorre em ambientes Java EE, utilizamos a factory org.springframework.orm.jpa.LocalContainerEntityManagerFactoryBean:

Com a propriedade de LocalContainerEntityManagerFactoryBean especificamos o nome  da persistence unit do arquivo persistence.xml. É neste arquivo que temos as configurações de acesso ao banco de dados pela JPA para realizar as operações de persistência.

Para a configuração do controle transacional em uma aplicação baseada no Spring, é necessário declarar um gerenciador que, neste caso, será a classe org.springframework.orm.jpa.JpaTransactionManager. Esta classe é utilizada para trabalhar com a JPA, independente de provedor ORM. A declaração da classe é ilustrada no trecho a seguir:

JpaTransactionManager precisa de qualquer implementação de javax.persistence.EntityManagerFactory para colaborar com EntityManager produzido pela fabrica, para conduzir transações. A classe JpaTransactionManager é recomendada para aplicações que utilizam apenas uma EntityManager.

Para que não tenhamos que fazer injeção de dependência do EntityManager em todos os nossos DAOs, utilizamos o elemento <context:annotation-config />, que procura todas as classes anotadas com @PersistenceContext, @Autowired (que veremos mais adiante), entre outros, e faz a injeção de dependência automaticamente.

Por termos configurado as transações no DAO, por meio da utilização da anotação @Transactional, o elemento <tx:annotation-driven> foi utilizado.

Como se não bastasse, temos também a parte do Spring MVC, que utiliza o elemento mvc:annotation-driven />, permitindo enviar as requisições das classes que possuem a anotação @Controller.

Configurando o Spring MVC

O segundo arquivo, com o nome de ContatoManager-servlet.xml (Listagem 7), será o responsável por configurar o caminho das views e a tecnologia empregada no projeto do Spring MVC.

Para criá-lo, cliquem com o direito do mouse sobre o diretório src/main/webapp/WEB-INF e selecionem New>Spring Bean Configuration File no menu de contexto.

Na caixa de diálogo Create a new Spring Bean Definition file coloquem o nome do arquivo de ContatoManager-servlet (Figura 26) e clique no botão Next.

Figura 26 – Criação do arquivo ContatoManager-servlet.xml pelo assistente

Figura 26 – Criação do arquivo ContatoManager-servlet.xml pelo assistente

Na segunda etapa, mantenham apenas o item beans – http://www.springframework.org/schema/beans selecionado como mostrado na Figura 27. Finalizem o assistente pelo botão Finish.

Figura 27 – Seleção do namespace beans

Figura 27 – Seleção do namespace beans

A Listagem 7 exibe, na íntegra, o conteúdo do arquivo ContatoManager-servlet.xml.

Listagem 7. Configuração do arquivo ContatoManager-servlet.xml.

O Spring MVC possui um suporte a inúmeros tipos de views, utilizando diversos tipos de tecnologias, como JSP, FreeMarker, JasperReports, Velocity, XML, XSLT e outros. Quando vamos criar um projeto Spring MVC, podemos utilizar uma ou diversas ao mesmo tempo, o que significa que é possível apresentar uma página em HTML gerada pelo JSP contendo os dados vindos do banco de dados através do uso do Spring MVC e também um XML contendo os mesmos dados, com uma pequena alteração de extensão no navegador.

Com a classe org.springframework.web.servlet.view.InternalResourceViewResolver pré-fixamos o caminho das páginas em “/WEB-INF/jsp/” e damos o sufixo, sendo “.jsp”. Para o conteúdo das páginas, temos InternalResourceViewResolver, uma subclasse de UrlBasedViewResolver, que suporta JSTL, onde utilizaremos em nossas views.

Atenção: Como boa prática recomendada pelo Spring, coloquem as páginas JSP dentro do diretório WEB-INF, impedindo assim seu acesso direto através da URL.

As views

Criaremos agora três páginas que representarão nosso CRUD. Estas páginas serão criadas dentro de um diretório chamado contato, que ficará dentro de jsp em WEB-INF. Os diretórios jsp e contato ainda não foram criados. Para criá-los, clique com o direito do mouse sobre src/main/webapp/WEB-INF e selecione New>Folder no menu  de contexto.

Figura 28 -  Os diretórios jsp e contato criados dentro de WEB-INF do projeto

Figura 28 – Os diretórios jsp e contato criados dentro de WEB-INF do projeto

O formulário de cadastro

Se preferir, mude a perspectiva do Eclipse para Java EE, assim será possível clicar com o direito do mouse sobre o diretório e selecionar, no menu de contexto, o item New>JSP File. O assistente de criação de páginas JSP pode lhe ajudar com um template Basico. Por fim, dê o nome de create.jsp no arquivo e coloque o conteúdo similar ao mostrado na Listagem 8.

Listagem 8. A página create.jsp.

Podemos ter uma idéia de como ficará a página create.jsp através da Figura 29.

Figura 29 – A página create.jsp

Figura 29 – A página create.jsp

Analisando o web.xml, veremos o elemento <servlet-mapping/>, que define onde a aplicação encontrará os conteúdos estáticos do aplicativo. O Servlet default, utilizando neste caso, pertence as configurações padrão do Tomcat, responsável por servir conteúdos estáticos de aplicações web. Mesmo que seus arquivos não estejam em um diretório com este nome, é necessário acrescentá-lo como parte do caminho. Isso inclui imagens e folhas de estilo[1].

Para criar estas páginas, utilizamos tags da biblioteca JSTL e tags do próprio Spring. No caso do Spring, as tags <form/> possibilitam que tenhamos um formulário ligado ao controller. Para utilizar estas tags, devemos acrescentar a seguinte taglib:

<%@ taglib prefix=”form” uri=”http://www.springframework.org/tags/form” %>

Na construção dos formulários para inserir e atualizar, utilizamos a tag <form:form/> que possui um atributo modelAttribute,  ligando o formulário ao parâmetro do método que executa sua ação. O atributo method indica qual o tipo de ação será feita no controller.

A tag <form:input/> possui o atributo path com o valor correspondente aos atributos existentes no bean Contato.

A página que lista todos os cadastros e permite a exclusão

Para a listagem de todos os cadastros efetuados, criaremos uma página chamada list.jsp, contendo as mesmas informações existentes na Listagem 9.

Junto a listagem, teremos a possibilidade de excluir o cadastro diretamente por esta página.

Figura 30 – A página list.jsp

Figura 30 – A página list.jsp

Listagem 9. A página list.jsp.

O Spring MVC gera um Map através de sua classe org.springframework.ui.ModelMap, onde capturamos os valores retornados pelo método findAll(), de ContatoDAO. Este Map é capturado pela view, no clássico esquema definido pelo MVC.

No caso da listagem de contatos, este Map, definido como contatos no método list(), de ContatoController, é varrido por um loop criado pela tag JSTL <c:forEach /> no seguinte trecho:

<c:forEach items=”${contatos}” var=”post”>

Na listagem dos contatos, em uma das tags <form:form/>, vemos em um de seus atributos method o valor DELETE, definido como a ação de exclusão de contatos.

Como os navegadores não reconhecem o envio de formulários além dos métodos POST e GET, precisamos de uma ajuda do Spring Framework para fazer a operação DELETE. O que o Spring MVC fará é traduzir o valor do atributo desta tag, na geração do HTML, da seguinte forma:

<form … method=”post”>

<input type=”hidden” value=”DELETE”/>

Observe que ele criou uma tag oculta HTML na renderização da página com um nome _method e com o valor DELETE. Esta simples adição permitirá a ação de excluir pela classe PostController.

A página de atualização de dados

A última página que teremos no CRUD é a de atualizar (update.jsp), similar ao de adicionar dados, exceto pelo fato de receber os dados vindos do banco de dados para serem exibidos.

Listagem 10. A página update.jsp.

Similar ao que ocorre com a listagem de contatos, temos no formulário da página de atualização o valor PUT para o atributo method. Novamente, o Spring Framework irá gerar um campo oculto, em HTML, contendo esta informação e transmitindo ao navegador o HTML como ele já o conhece.

Figura 31  - A página update.jsp

Figura 31 – A página update.jsp

As páginas que não fazem parte do CRUD

O menu e a página inicial não fazem parte do CRUD e, portanto, serão apenas apresentadas aqui com seus códigos para completar o exemplo.

A página index.jsp deverá ser criada em  webapps:

Listagem 11. A página index.jsp.

Assim como index.jsp, crie o menu.jsp em webapps.

Listagem 12. A página menu.jsp.

Figura 32 – Visão geral de todos os arquivos utilizados na geração do projeto

Figura 32 – Visão geral de todos os arquivos utilizados na geração do projeto

O projeto para download

Clique aqui para baixar o projeto completo como feito até o momento.

Considerações finais

Agora que aprendemos a fazer um CRUD com o Spring MVC, podemos criar projetos mais complexos. Caso estejam com pressa em aprender algo mais complexo, a revista JavaMagazine #78 publicou, alguns meses atrás, um artigo meu com o Spring MVC 3 na criação de um blog, passo a passo.

No próximo artigo

Faremos alterações neste projeto, criando as verificações utilizando Bean Validation e depois trabalhando com testes.

Até o próximo artigo pessoALL.


[1] Imagens e folhas de estilo foram omitidos neste artigo, mas podem ser obtidos no projeto completo encontrado no final para download

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